O papel de um sistema de bilhetagem eletrônica no transporte público

O papel de um sistema de bilhetagem eletrônica no transporte público vai muito além da automação do pagamento da tarifa. Os impactos da automação do pagamento por meio de um sistema de bilhetagem são inúmeros. Neste post vamos dar uma breve descrição, trazer alguns conceitos associados à bilhetagem e apontar os principais benefícios deste sistema.

O que é um sistema de bilhetagem eletrônica

Um sistema de bilhetagem eletrônica é composto por um conjunto de equipamentos e softwares especialmente desenvolvidos para automatizar o pagamento das passagens no sistema de transporte público utilizando créditos eletrônicos. Créditos estes que são geridos pelos operadores de transporte de cada município e carregados nos cartões dos usuários.

O validador é o elemento central deste sistema. Usualmente instalado próximo à catraca dos ônibus, ou acoplado aos bloqueios de acesso nas estações, o validador tem como função principal realizar a leitura/gravação de dados dos cartões dos usuários. Ele verifica as regras de uso gravadas no cartão do usuário, como por exemplo, o saldo, o tipo de cartão, ou os benefícios associados. Após a leitura, o validador debita o valor da passagem, grava o novo valor do saldo no cartão e libera o acesso pela catraca ou bloqueio. Isso acontece em milésimos de segundos.

Mas não é só isso. O fluxo descrito acima representa uma parte do processo, que ganha complexidade e robustez para atender as regras de cada município. Entre esta regras podemos citar: integração entre modais, tarifas diferenciadas por horário ou dia da semana, recarga de créditos comprados online. Todas estas regras são parametrizadas no sistema de backoffice do sistema de bilhetagem. Mas vamos falar dele mais pra frente.

Principais componentes de um sistema de bilhetagem eletrônica

Para mostrar um pouco mais a complexidade destes sistemas, vamos dividi-lo em três macro processos. São eles:

  • Controle de acesso

O subsistema de controle de acesso é composto pelos equipamentos e softwares destinados a controlar o acesso dos usuários ao serviço de transporte. O principal elemento aqui é o validador e o software instalado dentro dele.

Outra solução que vem sendo muito utilizada para completar o controle de acesso é o sistema de biometria facial. Este sistema tem a função de, integrado ao validador, controlar o uso dos cartões de benefício para garantir que esteja sendo usado pelo beneficiário / titular.

  • Geração, distribuição e comercialização de créditos

O subsistema de geração, distribuição e comercialização é composto por equipamentos e softwares projetados para prover segurança, confiabilidade e rastreabilidade aos processos relacionados ao fluxo de crédito. Contudo, antes de chegar no cartão do usuário o crédito eletrônico passa por 3 etapas:

  • Geração de crédito – Este processo é responsável pela criação de créditos do sistema de transporte, para serem comercializados.
  • Distribuição de crédito – É o processo de transferência de crédito até os pontos de venda e recarga. Dispositivos utilizados: POS, software de venda, ATM, mobile.
  • Venda de crédito – É quando finalmente acontece a transferência de crédito para o cartão do passageiro.

Vale ressaltar que a segurança é um ponto crucial. Ela permeia todas as etapas, desde o momento em que os créditos são gerados, passando pelos processo de distribuição para venda, até a utilização pelo usuário.

  • Controle de arrecadação

Este subsistema é composto pelos equipamentos e softwares necessários à operação e gerenciamento da arrecadação das tarifas. É a parte responsável por fazer a gestão das regras tarifárias e das diferentes modalidades de benefícios existentes. Além da parametrização do modelo de negócio, também faz o encontro de contas entre os créditos comercializados e utilizados, assim como a contabilização de passagens pagas em dinheiro.

Em maior ou menor grau, todos os subsistemas citados acima possuem um conjunto de módulos e aplicativos de software, denominado de sistema de backoffice do sistema de bilhetagem eletrônica.

O esquema abaixo ajuda a mostra a interação entre estes subsistemas.

 

Os grandes processos que formam um sistema de bilhetagem eletrônica

Infográfico de um sistema de bilhetagem eletrônica

Os benefícios para a mobilidade urbana

Segundo dados da NTU, 86,5% das cidades brasileiras já adotaram sistemas de bilhetagem eletrônica. Entre os benefícios alcançados com o investimento nesta tecnologia estão:

  • Automação: O processo automático elimina a necessidade um operador e viabiliza a  implantação de regras de negócio que beneficiam o usuário e estimulam o uso do serviço.
  • Transparência: O crédito eletrônico é controlado de forma transparente em todas as etapas do processo.
  • Segurança: Diminuição do risco de assaltos devido à redução da quantidade de dinheiro nos ônibus.
  • Combate à evasão de receita: Drástica redução ou eliminação do comércio paralelo dos tickets de papel (conhecido antigamente como: vale-transporte).
  • Planejamento: Uso de dados extraídos da bilhetagem para conhecer a demanda e planejar a oferta do serviço.
  • Praticidade: Redução do problema do troco e praticidade para o usuário.
  • Qualidade do serviço:  Redução do tempo de embarque.
  • Economia: Redução dos custos operacionais com o manuseio de dinheiro.

Tudo o que falamos aqui está baseado no modelo tradicional de bilhetagem eletrônica, que usam principalmente cartões inteligentes sem contato. Todavia, novas modalidade de pagamento vem surgindo, mudando um pouco a composição destes sistemas. Se quiser saber mais fique de olho no nosso blog e acesses nosso conteúdo. Alguns links que podem te interessar:

Webinar “A nova era do pagamento eletrônico

Ebook “Tudo o que você ainda não sabe sobre o uso dos cartões com padrão EMV no transporte público

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