08/10/2019 Transporte

Todo o poder à jornada do passageiro

A discussão sobre o futuro do transporte público tem os clientes como elemento central. Facilidade de pagamento, agilidade e otimização do tempo são temas emergentes

 

A tecnologia trouxe poder aos passageiros, transformando-os em clientes que estão no centro de todas as iniciativas das empresas de transporte público. Os agentes do segmento se esforçam no investimento para reconquistar usuários e oferecer condições competitivas ante as novas opções de mobilidade. Esse cenário, que permeou a Arena ANTP deste ano, vem sendo orientador de praticamente todos players do setor. “Informação é poder e hoje o cliente tem muito mais informação, tem acesso à internet, tem vários meios de transporte que pode escolher. E ele também evoluiu e esse é o entendimento que precisamos ter.” avalia Romano Garcia, diretor comercial da Empresa 1, que apresentou o ponto de vista da companhia durante o evento.

Essa evolução do cliente e do mercado guarda muitas variáveis e a busca mais frequente tem sido por soluções integradas ao setor de transporte público que gerem vantagem e informações, facilitem acesso e atendam à demanda desse novo perfil de usuário por funcionalidades, sem perder de vista as necessidades de operadores e agentes. Uma das principais mudanças, segundo Garcia, está na forma de pagamento com uso de validadores que possam aceitar várias modalidades de pagamento, seja por cartões tradicionais, por cartões de débito e crédito ou, ainda a aproximação de celulares. Isso permite que o cliente organize sua jornada com mais independência e segurança, incluindo o uso do ônibus. “Agora com novos modais, como bicicletas e patinetes, a integração é importante porque o cliente não está interessado em ter um cartão para cada modalidade, um aplicativo para retirar scooter, outro para compartilhamento de viagem. Ele quer uma plataforma única.”

Palestra de Romano Garcia, diretor comercial da Empresa 1

“Com a telefonia móvel e outras tecnologias, como QRCode, EMV, NFC, o conceito de traga o seu ticket de casa passou a ficar viável”, lembra Romano, mencionando que o uso de NFC já está implantado no Rio há 3 anos (no sistema de trens metropolitanos) e a capital paulista também conta com projeto piloto iniciado em setembro, que deve durar três meses.

Em São Paulo são 12 linhas de ônibus que aceitarão pagamento contactless (por aproximação) com cartões de crédito, débito e pré-pago, celulares, smartwatches ou pulseiras com NFC.

Outra demanda derivada dessa liberdade no meio de pagamento está relacionada ao desejo do cliente de ter vantagens e descontos no uso de multimodais – e também poder migrar de uma bilhetagem de valor fixo para o pagamento correspondente ao trajeto percorrido. “Temos modelos europeus com pagamento proporcional pelo uso do trajeto, como o ‘pay as you go’. O Brasil ainda não tem essa cultura de pagar apenas pelo que usa, mas é uma transformação que está vindo do cliente e não necessariamente da indústria ou dos operadores”, lembra Romano Garcia, destacando a parceria com a Trapeze, que tem larga experiência em transporte on demand nos Estados Unidos, Canadá e Europa, e cujas soluções estão sendo incorporadas no portfólio da Empresa 1 desde que ela foi adquirida pelo grupo Volaris.

Jeff Moore, vice-presidente de Novos Negócios da Trapeze (e especialista em tecnologia de transporte e de trânsito), lembra que essas funcionalidades respondem não só à questão financeira dos clientes, mas também à necessidade de ganhar tempo e impactar menos o meio ambiente. Em sua apresentação durante o evento, Moore mencionou que em Chicago a sinalização de trânsito otimiza tempo nos corredores de ônibus, e gera cerca de 15% de redução do tempo no tráfego, que se reverte ainda em menor gasto com combustível e menos emissão de carbono. É o chamado Transit Signal Priorit (TSP), que permite ampliar o tempo de sinal verde de um semáforo em corredor dedicado quando é detectado através da tecnologia um atraso na jornada.

Para implantar o processo, Jeff lembra que é preciso vontade política dos agentes públicos para repensar e investir em uma rede que está ultrapassada. “É preciso um replanejamento das redes baseado em como as pessoas se movem. Nos Estados Unidos isso continua sendo pensando, porque há vários centros de deslocamento,” diz o executivo.

Ainda considerando funcionalidades, Romano Garcia lembra que informações valiosas para o cliente, como localização, trajeto, tempo de espera e de percurso podem ser oferecidas na bilhetagem eletrônica. Além de aceitar qualquer meio de pagamento, os validadores também embutem informações-chave para gestão dos operadores.

Em Fortaleza, por exemplo, o uso dessa solução recuperou 6% da demanda, segundo Paulo César Barroso, Superintendente do Sindiônibus, com comodidades de recargas online, meios múltiplos de pagamentos que substituem cédula e moeda – com ganho de segurança e velocidade no embarque.  As ferramentas de gestão também permitiram redução de custo operacional e de fraudes, assim como a diminuição de atrasos.

Palestra de Paulo César Barroso, Superintendente do Sindiônibus

“Diferencial está na internet das coisas. Temos que permitir que as pessoas possam comprar através de um app, tem que ter auto-atendimento, tem que ter variação tarifária em determinados horários, tem que promover e criar escalas de utilização e bonificar uso”, avalia Barroso.

Romano, da Empresa 1, destaca que esses sistemas agora serão totalmente online e que não há mais volta para um mundo off-line. “Para chegar lá, temos hardware com conceito all in one, um equipamento a bordo com as mais diversas informações, wifi, geolocalizador. Um hardware de telemetria independente da solução de software. Garantimos a integração e nosso cliente operador tem prerrogativa de ter seus parceiros para ter esse tipo de informação. Na parte de software, optamos por uma arquitetura orientada a serviço, que torna a solução bastante flexível para interagir com sistema de terceiros.” “São validadores com várias interfaces, incluindo a CAN para a telemetria, um hub de sensores que permitem sensoriar as portas do carro, embreagem, ignição, ar condicionado. Todas essas informações são geradas pelo processamento do validador e tornadas disponíveis no software da telemetria, além de ter GPS, 4G e ser um portal de pagamentos”, explica Garcia.

 

Planos para o futuro

“Essa nova etapa da Empresa 1 é bastante positiva. Fazemos parte agora de um conglomerado global que é o Constelation Software, um grupo proprietário da Volaris e braço operacional, que faz aquisição em empresas de software. Além da própria Empresa 1 temos a Cittati, adquirida recentemente também, e a Trapeze, empresa irmã e parceira tecnológica e de soluções. Como eles têm portfolio grande com planejamento on demand, nós estamos trazendo todas essas tecnologias para o Brasil. Estamos em mais de 40 países, 60 verticais de mercado e somo 7 mil colaboradores no grupo Volaris ao redor do mundo. Tudo isso vai se traduzir em constante movimento e inovação melhorando a experiência do cliente no Brasil.”, completa o executivo.

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