06/05/2019 Transporte

Com celular na mão, passageiro determina a rota que o ônibus faz

Confira a matéria do Valor Econômico sobre o uso de novas tecnologias para construir o transporte público do futuro.

Como será o transporte coletivo daqui alguns anos nas grandes cidades brasileiras? Empresas do setor apostam que – assim como ocorreu com os táxis – aplicativos para celulares estão para iniciar uma pequena revolução nos sistemas de ônibus e de metrô.

Uma das ideias – que já começam a ser testadas no Brasil – são ônibus sem rota nem horários definidos: rodam de acordo com a demanda dos passageiros, que usam seus celulares para dizer onde estão e para aonde querem ir.

Outra ideia, essa ainda inédita por aqui, é um modelo de integração de meios transportes. Não apenas de ônibus, trens e metrô, mas uma integração radical, que passe a incluir patinetes elétricos, carros de compartilhamento, bicicletas de aluguel, estacionamentos. Tudo num pacote só de tarifas. O modelo já tem nome: mobility as a service (MAAS).

“Esse modelo funciona como um Netflix do transporte público”, diz Romano Garcia, diretor comercial da Empresa 1, especializada em bilhetagem eletrônica e em sistemas de reconhecimento facial usados para o transporte público.

Com uma assinatura mensal ou anual, os passageiros passam a escolher se fazem um trecho de seu percurso diário de ônibus e outro de bicicleta alugada, por exemplo. Ou se vão de patinete até a estação de metrô ou ainda se querem dirigir um carro compartilhado.

Hoje, essas opções já estão disponíveis em algumas cidades brasileiras, mas o passo seguinte seria justamente integrar todos eles em um único sistema de pagamento.

“Essa ideia de oferecer transporte como um serviço é uma tendência mundial. O usuário tem a opção de escolher e de combinar os transportes que quiser pagando de uma forma única e um preço que integre todas essas modalidades”, afirma Marcos Bicalho, diretor institucional da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), que reúne operadoras de ônibus urbanos.

Nesse modelo de MAAS, o passageiro pode destravar uma bike pública ou passar na catraca do metrô – entre tantas opções – usando o leitor de QR Code ou o sistema de NFC dos celulares e de cartões.

Na Europa, nos EUA, Canadá em parte da Ásia, diversas cidades já experimentam esse modelo de integração, segundo o site da MAAS Alliance, entidade que reúne empresas e entidades governamentais da área de transporte.

Em Barcelona, por exemplo, há a opção de – num único pacote – usar ônibus, metrô e também moto, bicicleta ou carro compartilhado. Em Antuérpia, o menu é semelhante; em Lyon, além do transporte público, o sistema cobre também estacionamentos. No Canadá, na cidade de Quebec, o serviço inclui carros elétricos.

No Brasil, o MAAS ainda é futuro e tema de discussões entre operadoras de transportes, órgãos reguladores e empresas de bilhetagem eletrônica. A Empresa 1 concorre com a Prodata, a Transdata, a Tacom, a Dataprom, a Digicon, entre outras, no negócio de sistemas de bilhetagem eletrônicos, tecnologia usada em ônibus, trens e metrôs desde os anos 90 no Brasil.

Romano Garcia acredita que em dois ou três anos, empresas do segmento porão nas ruas as primeiras iniciativas de MAAS no Brasil.

Em dezembro, a Empresa 1 – cuja sede fica em Belo Horizonte – foi comprada pelo grupo canadense Constellation Software.

Sob o guarda-chuva do Constellation está uma companhia, a Trapeze, que já opera esse modelo de integração de pagamentos de transporte em Dayton e em Nashville. Segundo Garcia, o segmento do MAAS é um dos caminhos de crescimento no Brasil.

Antes disso, no entanto, outra novidade: os ônibus por aplicativo. Desde fevereiro, Goiânia tem 14 micro-ônibus circulando na região central com itinerários e horários calculados de acordo com os pedidos dos usuários feitos por meio de um aplicativo. São entre 600 a 800 viagens por dia e a expectativa é chegar a 1.200 até julho, diz Benjamin Kennedy, presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos.

O preço: R$ 2,50 por quilômetro. Viagens de mais de dois km saem mais caras que as dos ônibus comuns, mas mais baratas que as dos carros de aplicativo. O sistema usado é o da americana Via. “Seria possível que alguma empresa desenvolvesse esse sistema no Brasil”, diz Kennedy. São Bernardo do Campo (SP) também já tem ônibus por aplicativo e Fortaleza pode ser a próxima a adotar a tecnologia.

 

Leia no Valor: https://www.valor.com.br/empresas/6239879/com-celular-na-mao-passageiro-determina-rota-que-onibus-faz

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