09/10/2018 Transporte

O fluxo por trás do pagamento da tarifa de transporte público com cartão de crédito e débito

Para aceitar o pagamento da tarifa de transporte com cartões de crédito ou débito, os sistemas de bilhetagem precisam se adaptar. Na verdade, a mudança vai além do sistema de bilhetagem, envolve um ecossistema com novos players e um fluxo de transações diferente.

Sistemas fechados x abertos

Na bilhetagem eletrônica tradicional, o operador de transporte público é responsável por todo processo de gestão de créditos. Desde a geração e comercialização de créditos, até a utilização pelo usuário. Este modelo é chamado de sistema fechado ou closed-loop.

Com os cartões de débito e crédito, os cartões padrão EMV, o processo passa a envolver novos agentes: as emissoras de cartão, os adquirentes e as bandeiras. Cada um destes agentes tem seu papel, sendo que todos precisam seguir regras a fim de garantir a segurança e a interoperabilidade do ecossistema. Este é o sistema aberto, também chamado de open-loop.

Vale ressaltar que a interoperabilidade é uma das grandes vantagens do modelo acima. Ela estimula o uso dos cartões EMV no transporte em todo o mundo, independente da cidade ou pais de emissão. A segurança também é um diferencial inerente do padrão EMV.

Fluxo de pagamento do transporte com cartão de crédito e débito

E qual o papel de cada um destes agentes na operação de pagamento da tarifa de transporte público?

  • Bandeiras

As Bandeiras, como Mastercard, Visa, Elo e American Express, são marcas que determinam padrões e garantem a interoperabilidade, nacional e internacionalmente. Têm a função de regular o uso do cartão e fazer a ponte entre o Adquirente e o Banco do consumidor. O que isso quer dizer na prática? No momento da compra, o Adquirente usado pelo vendedor se conecta com a Bandeira de Cartão, que por sua vez aciona o Emissor (banco ou outra instituição financeira), e este responde com a autorização (ou não) da transação.

  • Emissores de cartão

São eles que emitem e administram os cartões (crédito, débito e pré-pago) próprios ou de terceiros. É com o emissor que o portador mantém o relacionamento para questão decorrente do uso de seus cartões.

  • Adquirentes

São empresas como Cielo, Rede, GetNet e Stone, que tem o papel de liquidar as transações financeiras. Elas se comunicam com as Bandeiras e com os Bancos Emissores para receber do cliente e repassar ao comerciante.

E por que precisamos entender isso?

Porque para introduzir o EMV na operação de transporte será necessário um relacionamento com todos estes players.

A liquidação do pagamento de uma transação com cartão EMV no validador é semelhante a uma venda em POS. Para isso, o validador passa a contar com uma leitora de cartão preparada para este tipo de transação. O que significa que as soluções de bilhetagem também devem atender as regras de segurança estipuladas pelo padrão EMV. Desta forma, a transação pode ser instantaneamente identificada e aprovada com autenticação dinâmica.

A primeira etapa após a leitura do cartão é a verificação da validade daquele cartão. A partir daí, o Adquirente processa e liquida a transação. É ele também que informa a transação para a bandeira e disponibiliza a relação de cartões para os operadores. O validador registra todas as transações, com cartão EMV ou outros meios de pagamento, e leva os dados para o sistema de bilhetagem.

O fluxo abaixo representa este processo:

Se você que entender um pouco sobre a tecnologia EMV e o pagamento com cartões de crédito e débito no transporte público, você também pode ler: Cartões EMV no transporte público: Conceitos que precisa entender

Brasil