19/02/2019 Transporte

Modernização do sistema de bilhetagem eletrônica: é custo ou investimento?

Quando falamos em gastos com tecnologia para atender o dia a dia de uma empresa, a relação “custo x investimento” é um questionamento constante. A decisão pela modernização do sistema de bilhetagem também passa por este entendimento.

Uma forma simples de começar a responder esta pergunta é compreendendo o significado das duas palavras:

  1. Custos: são gastos que podem ser atribuídos ao produto final ou à prestação de um serviço. Ou seja, para produzir ou prestar mais serviço, possivelmente, os custos serão maiores.
  2. Investimento: são gastos feitos com o propósito de aumentar a receita ou melhorar os resultados. Também podem ser feitos para melhorar a imagem do negócio.

É importante reforçar que, tanto o custo como o investimento, sempre têm intenção de retorno. E este retorno pode ser mensurado quantitativamente ou qualitativamente.

Logo, se olharmos pelo aspecto conceitual, a modernização da bilhetagem está atrelada ao significado de um investimento. Ela impacta na receita, nos resultados e na imagem do negócio. Vamos falar mais sobre isso na sequência.

O ROI aplicado ao transporte público

O ROI – Retorno sobre investimento, é a relação entre a quantidade de dinheiro ganho (ou perdido) como resultado de um investimento e a quantidade de dinheiro investido.

Existem diversas metodologias para o cálculo do ROI. No caso da mensuração de um investimento isolado, podemos usar um exemplo simples apenas para nos ajudar na compreensão.

Considere o seguinte cenário: o investimento de R$100 gerou um ganho de R$300.

Logo, se aplicarmos estes valores à formula demonstrada abaixo, teremos o seguinte resultado:

Ou seja, o ROI foi de 200%.

Sim, esta conta é muito básica e não se compara à complexidade por traz da prestação de serviço de transporte público. Mas, a intenção é reforçar o uso deste indicador para percepção de resultado com o investimento em uma nova tecnologia.

Foi assim quando a bilhetagem eletrônica surgiu, por volta de 1994. Naquela época, além da logística complexa, o vale transporte de papel era objeto de fraudes constantes e acabou se tornando uma moeda paralela.  Custos foram reduzidos e  a evasão, consequência das práticas da época, combatidas. Outro exemplo muito conhecido pelos resultados positivos é a biometria facial, que vem ajudando operadores a recuperar a receita e combater alto volume de fraude deste 2011.

Afinal, todo investimento em tecnologia precisar ter um ROI, pelo contrário não haveria motivação para este investimento. Por isso, incentivamos os operadores à olhar a modernização por essa perspectiva.

Trade off de custo da modernização do sistema de bilhetagem

Trade off é quando você troca um custo por outro. No caso da modernização entendemos que, além de gerar retorno para a imagem do negócio, o investimento irá substituir alguns processos e reduzir custos que pesam significativamente a operação.

A mensuração dos ganhos vai depender da realidade de cada negócio e o nível de modernização desejado. Listamos abaixo algumas perguntas que podem nortear este levantamento:

  • Serão inseridas novas formas de pagamento (mobile, EMV e QR Code)? Se sim, qual a expectativa de redução de custo com outras formas de pagamento ao longo do tempo?
    • Reduz o custo com aquisição, emissão e distribuição de cartão?
    • Reduz custo com manuseio de dinheiro?
    • Reduz custo com equipe e infraestrutura da rede de venda?

 

  • O equipamento de bilhetagem assumirá a função de outros dispositivos embarcados, como por exemplo AVL de Gestão de Frota ou HOT SPOT para prover serviço Wi-Fi?
    • Neste caso, será possível reduzir custo de aquisição e manutenção de outros dispositivos?
    • É possível compartilhar serviço de conexão?

 

  • Qual o impacto dos validadores online na automação dos processos operacionais?
    • Será possível executar atividades, como transferência de dados, de forma mais rápida?
    • E os ganhos de segurança? Reconhecer uma fraude e bloquear um cartão de forma mais ágil pode reduzir prejuízo com fraude?

Os itens acima são alguns exemplos de impulsionadores de ganhos que devem ser considerados no cálculo do ROI. Além deles é necessário relacionar novos custos e a amortização do investimento. A boa notícia é que a flexibilidade das tecnologias atuais de agregar diferentes funcionalidades abre novas oportunidades de economia e crescimento da receita.

Case de Londres: um exemplo para se inspirar

Londres, é hoje a maior vitrine mundial em relação ao uso do modelo EMV contactless. Neste caso, divulgado mundialmente, é possível reconhecer o retorno efetivo da modernização do sistema de bilhetagem no negócio.

Londres viu no trade-off uma grande oportunidade para se impor metas de redução do custo operacional de arrecadação. A cidade já possuía cartão para a bilhetagem tradicional, o Oyster, que também perseguia o desafio de se eliminar a aceitação de dinheiro em espécie a bordo. No entanto, como por lá não existe VT, tampocuo qualquer forma de recarga a bordo, as redes de venda tiveram que se multiplicar por toda a cidade. O que deixou a operação complexa e gerou custos elevados.

Até 2014, o custo operacional com a arrecadação representava cerca de 14% da receita. A meta definida pelos operadores foi de reduzir este percentual a 6%, utilizando, principalmente, a modelo EMV contactless. Dois anos depois, a meta foi alcançada.

O gráfico acima deve ser uma tendência em todo o mundo daqui em diante. Os processos de arrecadação tendem a custar cada vez menos em relação à receita. A redução nas redes de venda e distribuição de cartões e recargas, no volume de cartões comuns e do manejo de dinheiro levarão as cidades a instituírem metas cada vez mais agressivas em relação aos custos desta natureza.

Além disso, não podemos esquecer dos usuários. Mais satisfeitos, tendem a não abandonar o serviço.

 

E aí, já está preparado para modernizar seu sistema de bilhetagem eletrônica?

Se você quer saber mais sobre os benefícios associados a este tipo de investimento você pode acessar:

Webinar: Validadores com comunicação online

Webinar: A nova era do pagamento eletrônico

Brasil