27/07/2018 Transporte

O comportamento das fraudes com cartão benefício

Ao implantar a tecnologia de biometria facial as fraudes vão acabar de forma definitiva? Esta é uma das perguntas que escutamos de nossos clientes antes mesmo do processo de implantação da tecnologia. Com toda sinceridade, gostaríamos de responder que o fim da fraude é definitivo, mas não é bem assim.

São muitas as peculiaridades envolvidas em um ecossistema onde existe fraude com cartões de benefício tarifário. Desde quando começamos a pesquisar e a desenvolver a solução que iria ajudar os operadores de transporte a combater esse mal, nos deparamos com um universo de variáveis complexas. Algumas delas são inerentes ao negócio dos nossos clientes, como por exemplo, as legislações que criam e colocam “goela a baixo” novos tipos de benefícios, aumentando assim a base de clientes e as chances de fraude. Outras vêm de um ambiente macro, como é o caso da flutuação da economia e o aumento do desemprego. Fatores como os citados acima impactam diretamente na gestão do uso dos benefícios. Por isso, falamos que o processo de gestão da fraude tende a ser sempre desafiador e dinâmico. Trata-se de um processo vivo!

A experiência acumulada em mais de 60 projetos de biometria facial nos últimos cinco anos tem nos mostrado outros fatores de influência e comportamentos típicos que se somam a esta equação. Um deles é a queda no uso dos benefícios no início da implantação, isso porque ao saber que estão sendo monitorados, muitos fraudadores abandonam a estratégia antes mesmo de ser pego pelo sistema. O que nos leva a outro aspecto relacionado ao passageiro, o comportamento de uso analisado por trajetos, linhas e horários também muda. O que também pode estar relacionada à fraude.

Vamos exemplificar o que falamos acima com o resultado de um estudo de caso na base de clientes da Empresa 1. Este estudo fez uma leitura de dados em dois períodos distintos: 8 meses antes, e 8 meses depois da implantação do Sigom Vision.

>>> Queda de 18% do uso de benefícios após a implantação da biometria.

>>> Dos 82% de beneficiários que permaneceram utilizando o sistema:

  • 10% foram identificados por fraude
  • 18% manteve o padrão de uso dos cartões
  • 54% dos usuários mudaram o comportamento

Onde queremos chegar com estas informações: enquanto houver benefícios na praça será necessário monitorar o uso de forma efetiva. O volume operacional de imagens para inspeção no início pode ser alto, dependendo da quantidade e abrangência de cartões com benefício. Este volume tende a reduzir muito, porém, provavelmente o gestor poderá observar picos de aumento como reflexo de novos entrantes no sistema e até mesmo novas tentativas de fraude. Ou seja, a gestão de benefícios para combater a fraude é um processo permanente.

Mas isso quer dizer que não vale a pena? Pelo contrário, claro que vale! Os resultados podem ser surpreendentes, desde que o monitoramento seja constante. Na solução da Empresa 1 parte deste monitoramento é feito automaticamente pelo próprio software, o Sigom Vision, através de algoritmos que agregam inteligência capaz de estudar o comportamento de uso dos benefícios e acompanhar a evolução das fotos dos usuários. Já a outra parte, está diretamente relacionada com o processo operacional de inspeção e bloqueio de cartões. Ao processar os inputs e informações geradas no dia a dia, o sistema aumenta a sua capacidade e eficiência, permitindo desta forma que os picos da curva de cartões não impactem na estabilidade do sistema.

Se com uma solução eficiente já existem as tentativas de burlar o sistema, imaginem como era antes da era de biometria facial no transporte público?!

Créditos: A Biometria Facial aplicada ao combate à fraude é uma das áreas de expertise da Empresa 1. Atualmente a empresa processa e faz a comparação de mais de 218 milhões de imagens por mês. A solução, que nasceu para atender uma demanda do segmento de transporte público, desde o último ano passou também a ser usada para verificação de elegibilidade dos usuários de operadoras de saúde.

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